Em vésperas de começar a temporada 2018, encerramos o capítulo de análises referentes à temporada transacta. Terminamos com chave de ouro, fazendo o balanço geral dos momentos mais marcantes no que diz respeito ao toureio a cavalo e a pé, aos forcados e ao toiro.

Começamos pela parte mais dura da temporada passada, temos de recuar até Setembro de 2017, mês trágico para a tauromaquia nacional. Pedro Primo e Fernando Quintella perderam as vidas nas arenas. O primeiro em Cuba, envergando a jaqueta do grupo local e o segundo na Daniel do Nascimento, em plena feira da Moita, envergando a jaqueta dos amadores de Alcochete. São dois nomes que vão ficar para sempre na memória dos aficionados.

No que diz respeito, aos grupos propriamente ditos, os amadores de Montemor protagonizaram uma excelente temporada, mostrando ao longo da mesma, ser um grupo coeso e com elementos muito eficientes para todas as posições, da cara ao rabejador. Nos lugares cimeiros da arte da jaqueta das ramagens, a maioria dos grupos não deixou os créditos por mãos alheias.

É muito difícil destacar só uma pega, mas não posso deixar de mencionar a grande pega realizada Francisco Graciosa, dos amadores de Santarém, a 20 de Julho, no Campo Pequeno, diante dum toiro da ganadaria Murteira Grave.

Por falar em Murteira Grave, é uma das ganadarias que estão em bom plano e uma das que proporcionou maiores êxitos em 2017. Prova disso, foi os três concursos que venceu (Salvaterra de Magos, Montijo e Moita). Outras ganadarias em destaque, independentemente do encaste, foram as de David Ribeiro Telles e Passanha.

António Telles foi sem dúvida alguma, um dos nomes mais importantes no que diz respeito ao toureio a cavalo, em 2017. Verdade, classe e arte. Brilhou ao mais alto nível em duas noites, no Campo Pequeno. Um purista, um verdadeiro Senhor Toureiro. A expectativa para vê-lo tourear esta temporada em que comemora 35 anos de alternativa, é muito elevada.

Em 2017 Luís Rouxinol comemorou 30 anos de alternativa, e sem ter realizado uma temporada incrível, foi um ano interessante, no qual deu alternativa ao seu filho Luís e lidou seis toiros em solitário no Montijo. Pautou pela sua regularidade e eficácia.

Pablo Hermoso de Mendoza, continua a ser o rejoneador mais consensual e acarinhado pela nossa afición. Atuou em arenas nacionais em quatro ocasiões (Évora, Lisboa, Alcochete e Albufeira), e em todas elas esteve em bom plano, praticando um toureio, onde o temple é a palavra de ordem!

Diego Ventura é o outro rejoneador que gera muito interesse junto dos aficionados portugueses. Não é tão consensual como Pablo Hermoso, mas é um grande toureio, que dá tudo o que tem em cada atuação. Tem uma quadra de cavalos muito polivalente e pronta para qualquer desafio.

Manuel Manzanares marcou a temporada portuguesa, no que diz respeito ao toureio a pé. A 13 de Julho, toureou no Campo Pequeno. Diante do quarto toiro da noite, da ganadaria de Garcia Jimenez, o matador espanhol, explicou a quem tivesse dúvidas, o porquê da tauromaquia ser uma das artes mais bonitas e mais puras que existem.

Na memória fica também a atuação de Manuel Dias Gomes, a 7 de Setembro no Campo Pequeno. O toureiro luso esteve inspirado nesta noite. Bordou toureio profundo e com grande verdade. A expectativa para vê-lo em 2018 é elevada.

Se a noite de 7 de Setembro em Lisboa, foi de triunfo para Dias Gomes, para o seu companheiro de cartel, foi uma noite para esquecer. Mas temos de ser justos com Juan José Padilla e agradecer o grande impulso que tem dado ao toureio a pé em Portugal, nas duas últimas temporadas. Não é “por morrer uma andorinha, que acaba a primavera”, e neste passado recente Padilla tem dado muito à aficion portuguesa. Em 2018, vai dizer adeus às arenas e nós gostávamos que terminasse com uma grande actuação em arenas nacionais, onde a entrega, o valor e a raça estão sempre presentes neste matador, que está na história da tauromaquia mundial por mérito próprio e à custa de muito sangue que derramou nas arenas.

Termino, com uma palavra de apreço, para todos os jovens que sonham vir a ser matadores de toiros e para os homens de “seda e prata”, que tamanha importância têm, para que os de ouro alcancem os seus triunfos.

Venha então a temporada 2018 e como diria um vosso amigo, “venha daí, venha aos toiros com o Faenas TV”.

fotos: Frederico Henriques @ Campo Pequeno