Ricardo Levesinho está de volta a uma casa que tão bem conhece. Sabe como ninguém os gostos da afición da sua terra e a aposta no toiro como elemento principal das suas organizações. Um toiro com apresentação, trapio e mobilidade, sem ser excessivamente grande, Levesinho sabe que os toiros não têm de ser “terroríficos”, têm é de investir e serem bravos. A escolha das ganadarias a lidar em 2018 em Vila Franca é muito adequada ao prestígio desta praça e esse é sem dúvida alguma, o motivo que suscita maior interesse nas corridas que se vão realizar em 2018, na Palha Blanco.

No que diz respeito aos cartéis propriamente ditos, o destaque vai para a última corrida. O mano-a-mano entre Telles e Ventura. O cavaleiro da Torrinha realizou uma excelente temporada em 2017 e o rejoneador de Puebla del Rio está a atravessar um dos melhores momentos da sua carreira, toureando toiros de qualquer tipo de encaste.

Como se isso já não bastasse, para esta ser uma das corridas de maior interesse esta temporada em Portugal. A “cereja no topo do bolo”, é a mudança de cabo do Grupo de Forcados de Amadores de Vila Franca de Xira, um dos de maior prestígio, no que diz respeito à arte de pegar toiros.

No plano ganadeiro, há toiros para todos os gostos de Palha a Canas Vigouroux passando por Romão Tenório. Oxalá invistam e o tempo permita a realização desta corrida, que pode fazer história!

A corrida de abertura da temporada, também está muito bem conseguida. David Gomes é um dos cavaleiros praticantes com maior rodagem, tanto em arenas nacionais, como especialmente em espanholas. A sua alternativa é mais do que merecida. Neste dia muito importante para a sua carreira o cavaleiro da Malveira vai estar muito bem acompanhado, António Telles e Luís Rouxinol são apenas e só, dois dos melhores cavaleiros tauromáquicos das últimas três décadas da tauromaquia portuguesa. Os toiros de Vale Sorraia geram sempre expectativa. Há quem diga que a ganadaria é de casta portuguesa (Norberto Pedroso) e outros defendem que é de origem Saltillo. O certo é que os toiros Vale Sorraia para além de apresentarem uma pelagem espetacular, regra geral são sinónimo de muita emoção!

E por falar em emoção, espera-se que o curro da ganadaria Palha proporcione grandes lides e pegas na corrida do Colete Encarnado.

Luís Rouxinol é um toureiro especialista em toiros duros e difíceis. Francisco Palha (quezílias à parte entre nós os dois, que isso são coisas do passado), é um cavaleiro que herda um apelido marcante da tauromaquia nacional. Apesar de alguma irregularidade em algumas atuações (fruto de uma quadra nova, que se está a consolidar temporada após temporada) consegue em determinados momentos cravar ferros com verdade e acima de tudo com muita emoção. Oxalá, esteja inspirado nesta tarde.

No que diz respeito ao toureio a pé, tourear toiros Palha sem serem picados é de muito valor.

Nuno Casquinha merece entrar no cartel não só devido ao triunfo na passada Feira de Outubro, mas essencialmente pelos sacrifícios que faz quando atravessa o Atlântico e ruma para tourear no Peru em praças onde “judas perdeu as botas”, já que as portas das arenas nacionais e espanholas, praticamente se fecharam nos últimos anos. Valor, raça e persistência é o que define a carreira do matador vila-franquense.

Pepe Moral é outra história de vida incrível e cheia de afición. O matador espanhol, é praticamente desconhecido da afición portuguesa, mas é um toureiro que tem muito interesse.

Fez uma excelente carreira como novilheiro, sendo o ponto alto dessa etapa, a saída em ombros de Las Ventas, em Maio de 2007. Recebeu a alternativa na Real Maestranza de Sevilla, em 2009 e depois esteve praticamente sem tourear chegando a exercer outras profissões  como por exemplo, ser empregado de mesa ou ator numa peça de teatro.

Até 2014, só tinha vestido o traje de luces, em nove ocasiões desde a sua alternativa. A oportunidade surgiu na “sua” Maestranza na corrida “del corpus”, quando saiu em sexto lugar o sobrero de Conde de la Maza, ao qual Pepe Moral cortou as duas orelhas, depois de realizar uma faena cheia de arte.

O toureiro sevilhano voltou a entrar no esquecimento das empresas, até que surgiu nova oportunidade em 2016, novamente na Real Maestranza e novamente diante do sexto toiro da tarde desta vez da ganadaria Miura, o matador andaluz voltou a bordar toureio de muitos quilates!

É sem dúvida um toureiro que tem muito interesse, mas que infelizmente tem poucas oportunidades para expressar a sua tauromaquia. O ano passado, em Illescas (Toledo), realizou duas faenas memoráveis a dois toiros da conceituada ganadaria de Victorino Martin. Ao primeiro cortou duas orelhas e indultou o segundo toiro do seu lote, mais palavras para quê vamos ver como este matador toureia e cada um interpreta à sua maneira.

A corrida do aniversário da Palha Blanco, a 30 de Setembro é uma inovação da Tauroleve. Conta com a presença de dois cavaleiros de dinastia João Moura Jr e João Telles Jr. Ambos têm grandes conhecimentos da arte equestre, sabem tourear muito bem (cada um ao seu estilo) e têm boas quadras de cavalos, oxalá esta “rivalidade-amigável” resulte em lides emocionantes.

A pé, espera-se uma figura internacional, que tenha obtido bons resultados ao longo da temporada. Certo é que os toiros que vão ser lidados nesta tarde, pertencem às ganadarias de Ribeiro Telles e Falé Filipe.

Uma sugestão para Ricardo Levesinho: Curro Diaz é um toureiro que podia encaixar muito bem nesta corrida, depois do seu triunfo em 2017 no festival comemorativo do 85º aniversário dos forcados vila-franquenses.

Por fim, o concurso de ganadarias na tarde de 7 de Outubro. Os toiros vão ser das ganadarias de António Silva, Passanha, São Torcato, Luís Rocha, Higino Soveral e Silva Herculano. Acredito plenamente que Ricardo Levesinho tenha escolhido seis “estampas” de toiros que vão sair à arena da Palha Blanco.

Resumindo e concluindo a minha análise, estamos perante uma temporada onde o papel principal vai para o Toiro. Por isso é que este espetáculo se designa de corrida de toiros, senão podia chamar-se corrida de outra coisa qualquer…

Se os toiros vão investir, ninguém pode garantir isso. Em todas as ganadarias há bravos e mansos, numas há mais bravos do que mansos e vice-versa. Ao empresário cabe assistir a tentas das ganadarias, para poder a médio / longo prazo prever o comportamento dos futuros toiros de lide, que vão sair às praças para serem lidados diante do público, que é quem paga o seu bilhete e sustenta a realização das corridas de toiros.

Os cartazes das corridas, foram bem concebidos, têm solera e nota artística. Sendo sem dúvida alguma, um objecto de culto para colecionadores e tertúlias.

Conhecendo minimamente Ricardo Levesinho, acredito no que diz respeito ao toiro, a temporada vila-franquense vai resultar plenamente.

Haja sorte para a empresa, inspiração para toureiros e para os forcados. Espero que os toiros saiam bravos e proporcionem emoção nas bancadas, de forma a que os aficionados saiam da Palha Blanco, com excelentes recordações de uma boa tarde de toiros!