Temos de por os pesos na balança e perceber, que esta corrida foi um espectáculo diferente do habitual. Por um lado, a empresa deu a oportunidade a alguns cavaleiros pouco vistos na capital (excepção para Gilberto Filipe e Parreirita Cigano) e todos eles mostraram bons pormenores. Por outro lado quase todos os cavaleiros acusaram a falta de rodagem, face à exigência dos seis tiros lidados nesta noite. Além disso, a entrada de público, ficou muito aquém das expectativas, tanto os seis cavaleiros, como os três grupos de forcados, mostraram que têm pouca força nas bilheteiras

O curro de Veiga Teixeira, estava muito bem apresentado, foram seis toiros sérios, encastados e que transmitiram emoção às bancadas. Foi o primeiro curro digno da designação “torista”, que se lidou este ano em Lisboa. Para se extrair mais “sumo” destes toiros, tinham de ter pela frente outro tipo de cavaleiros mais rodados e habituados a estas lides, como por exemplo António Telles (que deve adorar tourear estes toiros, em vez dos “murubes”), Luís Rouxinol, Vítor Ribeiro, Duarte Pinto etc…

Gonçalo Fernandes, abriu praça e confirmou a alternativa. Era a primeira vez que o jovem de Seia actuava em Lisboa de forma oficial (tinha feito há muitos anos, numa garraiada do Colégio Militar, do qual tinha sido aluno). Fernandes realizou uma boa lide, na medida que a sua quadra permitiu. Mostrou atitude e querer ao receber o toiro à “porta da gaiola”. Foi uma lide correta e agradável.

Marco José enfrentou o toiro mais complicado desta noite. Um animal que teve vários estados, de inicio foi para tábuas e depois a experiência do cavaleiro da região Oeste, trouxe o toiro para os médios, onde lhe deu a lide adequada em especial na ferragem curta, montando o veterano “Girassol”. Nota para a boa brega, eficaz e discreta do bandarilheiro Pedro Paulino.

Gilberto Filipe, cavaleiro que recentemente se sagrou Campeão do Mundo de Equitação de Trabalho, merecia estar noutro cartel. Pode não ter o carisma que outros cavaleiros têm, mas tudo o que faz, ele faz bem feito. Tem um excelente conceito de equitação e de toureio. Para mim, foi o autor da lide mais consistente da noite.

Marcelo Mendes, esteve muito bem. Foi uma lide que primou pela emoção. Utilizou cavalos da quadra da família Rouxinol, que teve a categoria de emprestar os cavalos, que Marcelo tinha vendido anteriormente ao cavaleiro de Pegões. Marcelo Mendes provu que quem sabe nunca esquece e tirou o melhor proveito deles.

Os dois melhores ferros curtos da noite, foram da sua autoria (o terceiro e o quarto da ordem). No fim da lide, teve o bonito gesto de ir buscar o “Único” e cravar um ferro de palmo, fazendo desta forma a despedida das arenas, deste que foi um dos melhores cavalos toureiros, que passaram pelas nossas arenas nas últimas temporadas.

Parreirita Cigano, que nas últimas temporadas teve momentos muito bons em Lisboa, não conseguiu repetir os triunfos esta noite. Carlos Miguel da Conceição, nome de nascença, realizou uma lide para esquecer, excepção para o último ferro curto. Agora não pode desanimar e tem de seguir em frente, porque ainda tem muito de bom para dar à Tauromaquia. “Não é por morrer uma andorinha, que termina a Primavera”.

A cavaleira praticante Verónica Cabaço, teve pela frente um dos melhores toiros da noite. Um animal bravo que perseguia o cavalo com alegria e bom galope (era um toiro para António Ribeiro Telles…)

A jovem de Samora Correia realizou uma lide que primou pela atitude e pelas ganas em busca do triunfo. Infelizmente a sua quadra de cavalos, não corresponde à raça e querer desta jovem toureira…

Em praça três grupos de forcados Coimbra, Monsaraz e Cartaxo.

Os ribatejanos (Cartaxo), levaram a melhor com duas pegas à primeira tentativa, por intermédio do cabo Bernardo Campino e de Fábio Beijinho.

Por Coimbra, foram caras Ricardo Matos à segunda e Pedro Silva à terceira tentativa.

Pelo grupo de Monsaraz, pegaram Carlos Polme e André Mendes, ambos à terceira.

Dirigiu a corrida com correcção e profissionalismo o delegado técnico Manuel Gama.

Se este é um espectáculo para repetir para a próxima temporada? Acho que sim, mas noutros moldes.

Todos têm o direito de tourear em Lisboa, mas acho que poderia ser numa corrida de quatro toiros, quatro cavaleiros e dois grupos de forcados (para tornar a corrida mais rápida e reduzir alguns custos que permitissem à empresa reduzir o preço dos bilhetes. Um um curro de toiros menos exigente para compensar a falta de rodagem dos ginetes e a realização deste festejo numa sexta-feira, num sábado à noite ou na véspera de um feriado (por exemplo, na véspera de Santo António), mesmo que a corrida não integrasse o programa oficial das “Festas da Cidade”, estaria inserida nas mesmas. No fim do espectáculo, o público saia das bancadas e poderia ficar a conviver no arraial, que se realiza nas imediações da praça. É apenas uma ideia, quem sabe se não podia funcionar bem.

foto e video @ Campo Pequeno