O Faenas TV não esteve em Évora no concurso de ganadarias, mas não queríamos deixar passar em vão um dos acontecimentos taurinos mais importantes da temporada. Fique com a crónica do conceituado aficionado Miguel Ortega Cláudio no site Tauronews.

Évora, 20 de Junho do ano 21

61º Concurso de Ganadarias, seria o 62º se não fosse a maldita peste, a chinesa… Arena de Évora, esgotada, para ver uma das suas corridas maiores, O seu concurso! Évora tentou vestir de gala, mas a DGS só deixou meio vestido… Foi em Junho e o Senhor São Pedro em modos de enjoado disse que Junho era dele e mandou e “ordenou” uma manhã invernal… chuva, vento, frio… Qual dia de Maio?!… De tarde um dia de Primavera, convidativo a ir aos toiros deu as boas vindas a um Verão que se deseja com multas tardes e noites de toiros!

O Concurso de Évora é dia de Toiros, dia de Ganaderos, de Bravura e Apresentação, este ano disto, houve… Qb…

O toiro de qualquer concurso é e sempre foi escolhido pelo ganadero, é e sempre será/devia ser o de “melhor e maior confiança”, o mais que tudo de uma ganadaria… Este ano… ainda mais digo eu… com tanto toiro no campo…

Mal apresentado nenhum… mas… jogaram quase todos na bravura das “reatas”…

Houve toiros com apresentação de Madrid, sim (O Palha), de Sevilha? O desenho de Passanha. “Guapos”, o de Murteira Grave e Calejo Pires. O de Nuncio e Teixeira, dignos. Mas, ou foi por me faltar o concurso de 2020, ou achei que a quase todos lhes faltou a “alma” do concurso de Évora.

Quanto à apresentação deve ter havido poucas dúvidas ou ganhava Madrid ou Sevilha. Ganhou o bom gosto! Parabéns ao júri, Tertúlia Tauromáquica Eborense. Foi um dos toiros mais bonitos que vi até hoje, o de Passanha. Uma estampa.

O do mais bravo no fim das contas seria discutido entre o da Adema, o de Vale de Lobos, o de Galeana ou de Pedrógão. Ganhou o da Galeana. O júri, também a Tertúlia Tauromáquica Eborense votou e disse. O conclave, aceitou! Discutível? Sim!

Como quando há três ou quatro, que poderiam vencer….

Abriu praça um Palha, grande, imponente, com cara… Um tio! Teve tudo, se calhar o que menos pede o ganadero que os cria… Nobre, tranco, metia a cara pelo lado esquerdo de maneira brilhante. Bom toiro. Faltou-lhe entrega e a fiereza dos Palha…

O segundo foi de Núncio, mais terciado que o de Palha, alto de agulhas, faltou-lhe algum remate. Teve muita mobilidade, tranco cadenciado, quanto a mim não humilhou o que devia e faltou-lhe alguma entrega. Bom Toiro.

O de Calejo Pires, não teve meias medidas e de início disse que não ia ser bravo. Teve casta mas não deu facilidades, com muitos quês e porquês.

O de Passanha, teve tanto de bonito como de uma nobreza a que lhe faltou alguma chama, não rompeu.

O de Murteira Grave, por diante teve emoção, pediu distância, no momento do ferro teve importância, não rematou como devia, veio a mais. Bom toiro.

O de Teixeira que fechou a tarde, pediu distâncias curtas, teve emoção, se calhar perdeu o prémio por ser escarvador… (modas antigas…)! Encastado. Bom toiro.

Decidiu o júri:

Prémio de Bravura, Murteira Grave; Prémio de Apresentação, Passanha.

Luís Rouxinol  não teve a tarde mais brilhante em Évora, No de Palha realizou uma lide que acabou por não romper. Cravou os ferros com solvência, encontrou um público pouco metido na corrida e teve uma atuação morna. No quarto andou em plano de lidador, mostrou entrega, o querer do triunfo mas a muita nobreza do Passanha condicionou a lide de um toureiro que gosta de mais desafio por diante.

João Ribeiro Telles, no de Núncio, aproveitou o tranco do toiro, desenvolveu um brega interessante, cravou bons ferros, mas o público não rompeu durante a lide. No burraco de Galeana andou em plano mais entoado. Cravou três compridos, tentou perceber o que tinha por diante, a actuação nos curtos teve som e Évora reconheceu. Não foi uma lide explosiva como tem habituado o público mas agradável.

Salgueiro da Costa, agarrou um importante triunfo em Évora! Lidou o Calejo com empenho, cravou a ferragem da ordem com mestria. Deu a volta a uma “tortilla pouco fácil”… No Teixeira entendeu o toiro, deu-lhe a lide adequada, cravou ferros de nota, desfrutou e fez desfrutar os presentes. Bonitos pormenores de lide em que mostrou intuição toureira.

Nas pegas Montemor e Évora, tarde de gigantes! Pegar num concurso de Évora é uma “medalha de ouro” na vida de um forcado! Ontem alguns já com muitas ao peito, outros, com algumas e outros a  tentarem por a “primeira”. Boa tarde de pegas naquela que dizem ser a capital do forcado.

Abriu praça Francisco Borges à segunda, na primeira tentativa o toiro pareceu sair solto, o Francisco não lhe mandou na investida e foi derrotado. Na segunda emendou a “mão” e resolveu com solvência. José Maria Vacas de Carvalho pegou o de Calejo Pires, numa grande pega à primeira tentativa. Vasco Ponce fechou pelos de Montemor numa garbosa pega ao primeiro intento.

Pelos de Évora abriu praça, António Torres numa boa pega à primeira tentativa. José Maria Caeiro à primeira tentativa, numa bonita pega. José Passanha, bateu três vezes as palmas ao Teixeira, fazendo a pega com o grupo a ajudar bem.

Dirigiu a corrida Domingos Jeremias e foi Veterinário Carlos Santana.”

Crónica: Miguel Ortega Cláudio

Fonte: Tauronews