A corrida de toiros na Benedita, já faz parte do calendário taurino nacional, devido à qualidade dos cartéis e ao profissionalismo da organização do espetáculo que tem sempre um fim solidário, tendo como principal objetivo angariar fundos para a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Benedita.

Desde 2004, que se organizam ininterruptamente corridas de toiros naquela região do Oeste e por ali já passaram grandes nomes da tauromaquia nacional. No próximo domingo, realiza-se a corrida de 2017 e o Faenas TV foi falar com João Guerra, o responsável pela organização deste espetáculo taurino. Contabilista de profissão e aficionado por paixão é de um profissionalismo extremo e acima de tudo é um bom exemplo de como se podem organizar corridas de toiros com qualidade e seriedade sem fazer parte do dito grupo de “empresários taurinos profissionais”. O seu trabalho junto das empresas da região dá frutos e ano após ano, a corrida de toiros na Benedita é um sucesso!

Faenas TV (FTV) – Como surgiu a ideia de organizar corridas de toiros na Benedita?

João Guerra (JG) – A ideia de organizar uma corrida de Toiros na Benedita, surgiu de uma forma muito espontânea e curiosa que eu passo a contar: um grupo de aficionados da Benedita que se encontravam na feira do cavalo na Golegã em novembro de 2003, deram com a presença do cavaleiro Joaquim Bastinhas, que foi imediatamente convidado a tourear na Benedita. Um dos amigos presentes (empresário) prometeu logo uma dádiva de quinhentos contos, caso as coisas fossem para a frente. Também contamos com a preciosa ajuda do cavaleiro da região Sr. João Pedro Cerejo. Assim, a 9 de maio de 2004 surgiu a 1ª Corridas de toiros à portuguesa com os cavaleiros Joaquim Bastinhas, João Cerejo e o praticante João Moura Caetano que enfrentaram toiros de Rodolfo André Proença, estando as pegas a cargo dos Grupos de Forcados de Montemor e de Caldas da Rainha.

FTV – A adesão por parte do público tem sido uma constante ao longo destes 15 anos. Qual o segredo para ter casa cheia?

JG – Na verdade não foram 15 anos, mas sim 14 anos, pois em 2005 e perante o estrondoso êxito de 2004, fizemos uma mini-feira taurina com corrida ao sábado e domingo, para o qual alugamos uma praça portátil em Espanha para 5 mil espectadores, coisa nunca antes vista em Portugal.

O segredo passa sem dúvida, pela recetividade que temos na angariação de patrocínios por parte das empresas da região. Por outro lado, pelos carteis que montamos que têm sempre algo de diferente e chamativo, isto claro, dentro dos orçamentos que temos para as corridas.

Também a localização da Vila da Benedita é ótima, porque faz triângulo com os conselhos de Alcobaça, Rio Maior e Caldas da Rainha, que são zonas onde existe bastante afición.

FTV – Com que antecedência é que se começa a preparar a corrida da Benedita?

JG – Quase de um ano para o outro, tudo é preparado com muita antecedência. Aí reside um a parte do segredo, sem dúvida!

FTV – Quais as características que considera fundamentais para o sucesso de uma corrida de toiros numa praça desmontável?

JG – Fundamentalmente tem que haver qualidade na organização, até por exemplo na banda de música. Existem muitos aficionados que não vão a desmontáveis, e temos que lhes oferecer algo que os levem a vir, e que no final do espectáculo dêem por bem empregue o tempo e acima de tudo, que saíam satisfeitos da corrida que acabaram de assistir.

 

FTV – Em 15 edições da corrida de toiros na Benedita, há alguma que guarde uma recordação especial?

JG – Já falei da primeira, que por isso mesmo, por ser a 1ª e por ter corrido tão bem, foi digamos que a “luz verde“ para a continuidade.

Mas sinceramente gostei de todas até aqui… não me lembro de nenhuma a correr mal ou menos bem.

FTV – Ao longo destes 15 anos, a organização da corrida da Benedita tem contado com o apoio de diversas empresas da região. Sem este apoio seria impossível realizar a corrida de toiros?

JG – Completamente impossível. Não se consegue montar corridas de toiros sem o apoio das empresas. Seria vender gato por lebre e/ou ficar a dever aos intervenientes, e aqui na Benedita ou recebem todos ou não se faz corrida.

 

FTV – Quais foram os principais motivos que estiveram na concepção do cartel deste ano?

JG – Simples. O Paulo Jorge Santos porque triunfou aqui com muita força no ano anterior. O Jacobo Botero porque é a primeira vez que temos um cavaleiro de outro país, o que acrescentará à XV corrida, a categoria de cartel internacional. O Miguel Moura porque é um nome já confirmado e que tão bem aqui esteve em 2015. Aos grupos de forcados de Tomar e Coimbra ambos já repetentes, temos a estreia aqui na Benedita do grupo de forcados do Ribatejo. Os Toiros da ganadaria da casa avó, pela qualidade e pelo êxito dos anos anteriores sendo que esta é a 5ª vez que esta ganadaria vem à Benedita. De salientar também a estreia da excelente banda de Comércio e Industria das Caldas da Rainha, também uma estreia na Benedita. Penso que estão reunidas todas as condições para que esta edição seja um êxito.

FTV – A par de responsável da organização da corrida de toiros na Benedita, o João Guerra é apoderado do cavaleiro Paulo Jorge Santos, não acha uma pena este cavaleiro que tem uma excelente quadra, ter tão poucas oportunidades de mostrar o seu valor em arenas nacionais?

JG – Eu reconheço que tenho pouco tempo para a função de apoderado, pois a minha atividade profissional não me permite. Só a grande amizade que tenho pelo Paulo Jorge me leva a apodera-lo, mas sem dúvida que reconheço que ele tem uma potencialidade e uma quadra de cavalos que não está a ser aproveitada devidamente. É muito difícil entrar em certas praças, e o que me deixa mais triste é que ele triunfa com força em certos sítios e depois não o repetem. Felizmente, em Espanha, ele goza de um grande cartel e pisa muitas praças importantes. Mas como a esperança é a última coisa a morrer, continuo a acreditar que os seus êxitos mais tarde ou mais cedo terão feedback.

FTV – Hoje em dia está em voga as corridas mistas, já pensou em organizar uma corrida deste género na Benedita?

JG – Aí eu confesso que tenho receio em arriscar, nada tenho contra o toureio a pé, pelo contrário, mas a Benedita habituou os aficionados com a terna de 3 cavaleiros que se tornam autênticos ídolos e os nossos aficionados estão sempre à espera dessa competição a três.

FTV – A Benedita é uma terra com muita afición à festa Brava, alguma vez se pensou na construção de uma praça de toiros fixa?

JG – Sinceramente que não, pois a Benedita nem é sede de concelho e hoje em dia a construir-se uma praça, só um espaço multiusos para diversas atividades, e isso não passa de um sonho.

FTV – Uma palavra para todos os aficionados que dia 4 de junho vão à corrida de toiros na Benedita?

JG – Peço-lhes que venham, que continuem a acreditar na nossa organização e que com a Vossa presença ajudam a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Benedita, pois os possíveis lucros deste ano destinam-se à compra de um veículo de combate a incêndios florestais.

fotos: Fernando José e DR.