Como dizem os espanhóis “corrida de expectación, corrida de desilusión”. Foi o que aconteceu em Santarém no feriado nacional de 10 de Junho. Com um cartel composto por três das maiores figuras mundiais do toureio (Diego Ventura, “Morante de la Puebla” e”El Juli”) e um dos melhores grupos de forcados portugueses (os amadores de Santarém), esperava-se no mínimo casa cheia… Houve meia casa forte isto para ser simpático…

Os toiros de três ganadarias distintas e todas elas com provas dadas, não colaboraram minimamente para o sucesso da corrida. Notava-se claramente, que tinham sido escolhidos pelos toureiros, que elegeram as suas ganadarias favoritas, e que à partida, “supostamente”, iam ajudar a que esta corrida fosse um êxito.

“Morante de la Puebla” devia ter vergonha na cara e devolver o seu cachet a todos os aficionados presentes na Celestino Graça. Lidou dois toiros de “Nuñez del Cuvillo”, uma das melhores ganadarias espanholas dos últimos tempos. O primeiro toiro, era escasso de força e o segundo transmitia o suficiente, para o matador espanhol dar meia dúzia de verónicas e umas quantas series de muleta. Mas “Morante” nem quis ver os toiros, nem “pintados de azul”… Faltou tudo ao de “la Puebla”, faltou atitude, faltou raça, faltou respeito por quem paga o seu bilhete e acima de tudo faltou “verguenza torera”.

O que faltou a “Morante”, sobejou a “El Juli” que lidou dois toiros de Garcigrande. No 3º da tarde, “Juli” desenhou de capote bonitas verónicas rematadas com três meias verónicas, seguidas de mais uma serie de chicuelinas rematadas com revolera. Agarrou na flanela rubra e toureou tanto com a mão direita, como com a esquerda. O toiro era manso e não queria investir, mas “Juli” investiu para o toiro. Baixou a mão e no seu estilo de lidador nato, procurou alongar o mais possível os derechazos e os naturais. O toiro tinha uma investida curta, mas mesmo assim “Juli” nunca desistiu e procurou sempre agradar ao publico presente.

O toiro que encerrou a corrida era perdido de manso, foi para as tábuas e de lá não quis sair. “El Juli” foi ter com ele e toureou-o junto às tábuas. O toiro fugia da muleta “como o diabo da cruz”, dava coices e mais coices e “El Juli” sempre cruzado e a tentar “sacar água a um poço que estava seco”. Julian Lopez deu uma lição de pundonor, deu uma volta à arena sempre com o toiro junto às tábuas e a fugir da muleta, e o matador de Madrid nunca desistiu de querer tourear um animal, que não tinha a mínima vontade de investir. O público percebeu o esforço e a atitude do toureiro, e retribuiu com fortes ovações.

Diego Ventura lidou dois murubes de Guiomar Cortes de Moura, o primeiro deixou-se lidar e o segundo era manso, e sempre que podia descaía para tábuas. Com o toiro que abriu praça, Ventura esteve em plano de figura, em especial nos ferros curtos montando “Nazari”. Preparou as sortes com técnica, cravou com vibração e rematou com temple. Ainda foi buscar o “Fino” e o “Remate”, mas depois dos bons momentos de toureio proporcionados por Ventura e “Nazari”, tudo o resto sabe a quase nada…

O quarto toiro da tarde, era manso e não transmitia nada, nem mesmo quando Ventura foi buscar o “Sueño” a lide subiu muito de tom. Valeu mais pela raça de Ventura, do que por outra coisa qualquer. Diego terminou a lide, com um par de bandarilhas montando o “Dollar”, cavalo ao qual tirou a cabeçada, antes de executar a sorte de frente para o toiro. Tem mérito e verdade, mas não deixa de ser um adorno, que aos mais velhos, faz certamente lembrar os tempos áureos do saudoso Gustavo Zenkl.

Nota para os brindes de Diego Ventura a Joaquim Bastinhas (no primeiro toiro), e a “Morante” e “Juli” (no segundo toiro do seu lote).

Os forcados de Santarém, executaram as pegas por intermédio de Francisco Graciosa à terceira tentativa e de Luís Seabra ao primeiro intento.

A direção de corrida esteve a cargo de Lourenço Luzio, assessorado pelo veterinário Jorge Moreira da Silva e pelo cornetim Nuno Narciso que esteve inspirado durante toda a tarde.

foto: Diego Ventura Facebook