O prestigiado jornal Briefing (dedicado ao mundo dos negócios e do marketing), publicou recentemente um artigo dedicado à forma como se deve comunicar a Tauromaquia no século XXI.

O texto intitulado: “Tauromaquia 2.0” da autoria de Hélder Milheiro, membro da comissão executiva da Federação Protoiro e responsável do marketing no Campo Pequeno, aborda questões deveras importantes que foram debatidas recentemente no I Fórum Nacional da Cultura Taurina.

Os novos paradigmas comunicacionais, a necessidade de existir um elevado nível de profissionalismo na comunicação da Tauromaquia e a obrigatoriedade de repensar a estrutura da Tauromaquia como produto de consumo e diversão num mercado cada vez mais competitivo que é o do lazer, são alguns dos temas abordados por Milheiro no artigo do jornal Briefing.

Artigo disponível para ler na integra.

Tauromaquia 2.0

“A Tauromaquia é uma actividade económica que movimenta vários milhões de portugueses, quer nas praças quer nas ruas. Esta deve ser gerida e comunicada de uma forma estruturada e estratégica, reposicionando-se para potenciar a sua relevância social e aumentando a sua relevância para o consumidor e para as marcas. É este o grande desafio para o Século XXI, nesta arte centenária que, no ano de 2015, movimentou cerca de meio milhão de espectadores.
São diversos os obstáculos à comunicação deste setor cultural português, e que ficaram bem presentes no I Fórum Nacional da Cultura Taurina, realizado recentemente no Campo Pequeno, e que, entre muito temas, debateu a comunicação da tauromaquia no século XXI. A questão é endógena ao próprio sector, como a insistência em modelos de comunicação desactualizados, a lenta absorção dos novos paradigmas comunicacionais, a necessidade de elevar o nível de profissionalismo da comunicação, tal como o imperativo de repensar a estrutura do próprio produto, adequando-o aos novos hábitos de consumo e de promoção num mercado de lazer altamente competitivo.
Por outro lado, existem igualmente factores exógenos. A ausência de uma estratégia de comunicação do setor levou a um maior desconhecimento desta actividade por parte dos consumidores o que, com a pressão de pequenos grupos ruidosos de movimentos anti-tauromaquia, financiados por organizações internacionais, lograram criar um preconceito em relação a esta actividade. Superar este preconceito, que afecta negativamente o capital da marca, é o maior desafio que se coloca à comunicação da tauromaquia no século XXI, com o dado muito positivo de que 86,1% dos portugueses aceita esta actividade (dados Eurosondagem).
As touradas são uma das marcas identitárias da portugalidade. Um capital tão grande exige uma marca poderosa que capitalize todos os vetores de comunicação agregados à marca. A título de exemplo, a tauromaquia salvou uma raça da extinção; contribui de forma relevante para a biodiversidade e sustentabilidade ecológica através das práticas de criação extensiva do toiro bravo, com padrões de bem-estar imbatíveis; tem um forte contributo solidário, é uma actividade geradora de emprego e um fixador de população em zonas deprimidas; produz um impacto económico directo e indirecto muito importante, determinante em várias regiões de Portugal, sendo das poucas actividades culturais que não depende de apoios estatais. Para lá do meio milhão de espectadores, as transmissões televisivas apresentam óptimos desempenhos, chegando a liderar as audiências nacionais em vários segmentos horários.
Esta arte performativa está baseada, além da ética, na emoção, um ingrediente fundamental para o consumidor de lazer do século XXI. Por isso, a Red Bull criou uma modalidade de Freestyle Motocross chamada Red Bull X-Fighters, baseada na iconografia taurina e que se realiza em praças de toiros. Este tipo de abordagem por marcas de referência, podem e devem ser inspiracionais para pensar a comunicação da tauromaquia no século XXI. É nesta linha que a Federação Portuguesa de Tauromaquia anuncia para Junho várias novidades que, acredito, vão levar a uma mudança de paradigma nesta área cultural.”

Saiba mais em: briefing.pt/opiniao/36480-tauromaquia-2-0

Foto: DR.